Olá amigos!

Continuando o nosso Curso Contador de Histórias Grátis, hoje vamos falar sobre mais um aspecto importante em toda e qualquer história que é a relação entre causas e efeitos. Embora as histórias captem a nossa curiosidade pela emoção, a nossa natureza racional também exige que a narrativa tenha lógica.

Não vamos entrar aqui em uma discussão filosófica sobre lógica, sobre causas e efeitos, pois esta não é a nossa intenção. Para os nossos objetivos, basta saber que uma história, basicamente, é uma concatenação de eventos internos e externos. Para que esta concatenação nos desperte interesse, ela tem que ter coerência, tem que ter uma ordem que faça sentido.

Causa e efeito nas histórias

Para que não tenhamos que ir mais a fundo em questões de conhecimento, da filosofia e da psicologia sobre como ocorrem as relações causais, vamos descrever as relações de causa e efeito do seguinte modo:

1) Se

2) Então

3) Portanto

Estas três palavras nos ajudam a criar e a verificar se a condução da narrativa tem sentido, coerência e lógica. Podemos começar por uma narrativa completamente sem lógica, como dizemos por aqui, “sem pé, nem cabeça”:

1) Se eu for para os Estados Unidos

2) Então, encontrarei alienígenas

3) Portanto, não devo ir ao supermercado

Como podemos ver facilmente, estas três frases – juntas, unidas – não fazem sentido algum. Claro que este é um exemplo bizarro e extremo da falta de coerência. Porém, em algumas narrativas, podemos vir a encontrar alguns problemas nesse aspecto da história. Problemas menos graves, é verdade, porém a diferença é apenas de grau.

No outro extremo, podemos encontrar uma relação que faça sentido, que tenha uma ligação entre as três frases e que são inteligíveis:

1) Se eu for para os Estados Unidos

2) Então, encontrarei pessoas que falam inglês

3) Portanto, devo estudar inglês para conseguir conversar com eles

Faz muito mais sentido, não é mesmo?

Um ponto interessante a ser observado é que as relações de causa e efeito continuam tendo validade mesmo em histórias fantásticas, de ficção científica, futuristas, desenhos animados. Ou seja, uma história, em um filme ou romance, não tem que ser realista para possuir lógica.

Uma regra de ouro para quem está fazendo o nosso Curso também para criar histórias é a de Jorge Luis Borges. O grande autor do realismo fantástico dizia que uma boa história fantástica tinha que ter apenas um elemento fantástico. O restante deveria ser normal.

Por exemplo, no maravilhoso livro de contos Aleph, temos duas histórias magníficas. O Aleph conta a história de um ponto no espaço no qual as pessoas poderiam ver todo o espaço, quer dizer, olhando através dele todo o universo se tornava visível. Em outro conto, Imortais, o protagonista busca e encontra a fonte da imortalidade e os imortais, seres com todo o tempo.

São duas histórias, cada qual com um toque de fantástico. Ou seja, ele não criou uma história que unia um ponto através do qual todo o espaço estava ali e, ao mesmo tempo, existiam seres imortais. A regra dele é que cada história deveria ter apenas um dado de fantasia além da realidade.

E, portanto, em cada história de Borges podemos ver como este elemento inusitado une-se a uma narrativa coerente, com detalhes minuciosos e que nos instigam a continuar a leitura e saber o que ocorrerá.

Em outras palavras, podemos ir ao cinema para ver um filme sobre alienígenas. O fato de o filme contar com a presença de alienígenas não quer dizer que o filme não tenha que ter lógica. Alguns aspectos podem ficar inexplicados (como o fato dos alienígenas falarem a nossa língua), mas no que diz respeito à construção da história, o autor terá que fazer as pontes entre os três elementos:

1) Se os alienígenas estão entre nós e estão escondidos

2) Então, cabe aos protagonistas encontrar os maus e puní-los

3) Portanto, toda a humanidade estará a salvo

O que é importante notar aqui é que, embora seja surreal e até bizarro, há uma lógica entre as frases. Podemos ver todos os outros conteúdos que trabalhamos nas lições anteriores: objetivo dos personagens, detalhes específicos, protagonistas e antagonistas e assim por diante.

Causas e efeitos – Dentro e fora

Podemos encontrar as relações de causa e efeito em duas dimensões: a dimensão interna e a dimensão externa. Assim como já estudamos na lição sobre objetivos internos e externos, faz-se necessário compreender que o que tem mais peso para prender a curiosidade do leitor ou ouvinte são as relações de causa e efeito internas. Mas vamos por partes.

Primeiro, precisamos descrever exatamente o que é uma causa de dentro ou interna e o que é uma causa de fora ou externa.

Uma causa e um efeito externo é o que acontece no mundo ou através da ligação com os demais personagens, enquanto que uma causa e efeito interno é o porque o que acontece externamente tem relevância.

Por exemplo:

Em uma cena, vemos a esposa apaixonada esperando pelo marido. Porém, os minutos, as horas vão passando e nada dele chegar. Então, ela começa a ficar preocupada e nervosa. Portanto, ela liga para todos os seus conhecidos atrás de notícias. (Isto é o que acontece externamente).

O nosso protagonista, o marido, porém, poderia não ter chegado por uma série de causas, não é mesmo?

Se ele encontra no caminho de casa um grande acidente, envolvendo um caminhão e um ônibus escolar, então ele para tudo o que está fazendo e tenta ajudar ao máximo. Portanto, com a situação trágica, ele esquece de ligar para casa.

Outra possibilidade poderia ser menos nobre.

Se ele encontra a sua amante ao parar para comprar algumas coisas no supermercado, então ele sente desejo e vai até a casa dela. Portanto, ele não liga para a esposa e no caminho de volta fica pensando em uma desculpa razoável.

Todas as duas alternativas tem lógica, tem coerência. Porém, o que acontece externamente tem menos importância do o porquê de acontecer.

E, para concluirmos, também temos que considerar que ao contarmos uma história ou criar uma completamente nova, temos que analisar se as relações de causa e efeito que estão presentes tem importância, tem relevância, tem valia para a continuidade da história.

De outro modo, ao inserir relações de causa e feito sem precisar, estaremos entrando em digressões. Para checar se estamos ou não entrando em uma digressão, é só perguntar:

E dai?

Isto afeta a continuidade da história?

O leitor ou ouvinte precisa saber disso?

Se cortar esta parte, fará diferença?

No próximo texto, falaremos sobre “o que pode dar errado, acaba dando”.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913