O termo Alcoolismo é em geral utilizado para designar um transtorno marcado pelo uso crônico e excessivo de álcool, resultando em problemas psicológicos, interpessoais e médicos (Kaplan; Sadock, 1993).

Não há praticamente nenhum grupo humano contemporâneo que desconheça o álcool ou etanol. Ao longo da historia da humanidade, ou da história dos grupos culturais específicos, a produção de álcool se observa ainda em estágios bastante primitivos (Ramos, 1997).

Na maioria das culturas, o álcool é o depressor cerebral mais frequentemente usado e uma causa de considerável morbidade e mortalidade.

Em algum momento de suas vidas, até 90% dos adultos americanos tiveram alguma experiência com álcool, e um número substancial destes (60% dos homens e 30% das mulheres) tiveram um ou mais acontecimentos vitais adversos relacionados ao álcool, como por exemplo, dirigir após ter consumido álcool, perder aulas ou dias de trabalho devido a uma ressaca (DSM-IV, 1995).

Existem muitas evidencias de que normas culturais em relação ao consumo de álcool tem um papel importante no desenvolvimento do alcoolismo. Culturas que ensinam as crianças a beber responsavelmente, bem como culturas que seguem rituais estabelecidos de onde, quando e como beber tem menores taxas de uso abusivo de álcool quando comparadas a culturas que simplesmente proíbem as crianças de beber. (Ramos, 1997).

Curso Dependência de Álcool: Como Lidar?

O alcoolismo como doença

A dependência de drogas e do álcool geralmente foi considerada pelo senso comum como um desvio de caráter, se constituindo, portanto um problema de ordem moral. A passagem desta ótica para o conceito de que, em verdade, se trata de uma doença começou a ser elaborada somente no século XX.

Com isso, surgiu a necessidade de se avaliar o fenômeno e as intervenções nele realizadas de acordo com a metodologia científica utilizada na Medicina. As avaliações passaram a ser questionadas quanto à sua reprodutibilidade, sendo substituídas por avaliações padronizadas. Além disso, a necessidade do estabelecimento de uma linguagem comum entre os pesquisadores que trabalham na área também contribuiu para o desenvolvimento de instrumentos padronizados, dentre eles as escalas de avaliação de grau de dependência, de motivação para o tratamento, entre outras.

O termo alcoolismo foi proposto pelo médico suíço Magnus Huss, em meados do século XIX. De modo mais especifico, este autor publicou em 1849 o conceito de alcoolismo crônico, a partir de quando o alcoolismo foi considerado uma doença (Ramos, 1997).

A consideração de que o alcoolismo constitui-se em doença, foi reforçada com a criação dos Alcoólicos Anônimos, em 1935. Esta instituição sem fins lucrativos, possuía desde o seu surgimento a definição de que o alcoolismo era uma alergia física associada a uma obsessão mental pelo álcool.

De modo que a pessoa com este problema se diferenciaria das outras por possuir personalidades e genética diferentes, além de uma sensibilidade especial ao álcool e uma vulnerabilidade ao alcoolismo.

E em 1956, o alcoolismo foi considerado pela Associação Médica. A Organização Mundial de Saúde (OMS) substituiu o termo alcoolismo pela terminologia proposta por Edwards e Gross em 1976, ou seja, síndrome de dependência do álcool (SDA), para que este fenômeno fosse entendido como uma síndrome que inclui diversos aspectos e não apenas uma classificação tudo-ou-nada (Ramos, 1997).

O problema do alcoolismo não parece ser apenas um caso particular de doença que alguém infelizmente apresenta. Alguns autores acreditam que se trata mais de uma “doença da humanidade” por assim dizer, ou seja, um mal da cultura humana em geral, que tem profundas raízes no psiquismo, já que relatos históricos indicam que estava presente há mais de dez mil anos, marcando sua presença em quase todos os tempos e lugares (Pena-Alfaro, 1993).

De forma que este não é um tema simples, não sendo em virtude disso um problema somente dos alcoólicos. A pergunta a ser feita consiste em se procurar porque o homem bebe e porque “inventou” a bebida (Pena-Alfaro, 1993).

Diagnóstico

A característica essencial da Dependência de Substâncias – como o álcool – é a presença de um agrupamento de sintomas cognitivos, comportamentais e fisiológicos indicando que o individuo continua utilizando uma substância, apesar de problemas significativos relacionados a ela, existindo um padrão de auto-administração repetida que geralmente resulta em tolerância, abstinência e comportamento compulsivo de consumo da droga. (DSM-IV, 1995).

A tolerância é a necessidade de crescentes quantidades da substância para atingir a intoxicação (ou o efeito desejado) ou um efeito acentuadamente diminuído como o uso continuado da mesma quantidade da substância. A tolerância ao álcool é pronunciada, mas em geral é muito menos extrema do que no caso das anfetaminas, por exemplo. (DSM-IV, 1995).

A abstinência é uma alteração comportamental mal-adaptativa, com elementos fisiológicos e cognitivos, que ocorre quando as concentrações de uma substância no sangue e tecidos declinam em um individuo que manteve um uso pesado e prolongada da substância. Após o desenvolvimento dos sintomas desagradáveis da abstinência, a pessoa tende a consumir a substância para aliviar ou para evitar estes sintomas, tipicamente utilizando a substância durante o dia inteiro, começando logo após o despertar (DSM-IV, 1995).

A abstinência é caracterizada por sintomas de abstinência, mais ou menos 12 horas após a redução do consumo pesado e prolongado de álcool. Uma vez que esta pode ser desagradável, os indivíduos podem continuar a usar mesmo com as conseqüências adversas (DSM-IV, 1995). Porém, apenas 5% dos indivíduos com Dependência de Álcool chegam a experimentar severas complicações da abstinência, e menos de 3% apresentam convulsões tônico-generalizadas. (DSM-IV, 1995).

O Delirium por Abstinência de Álcool, inclui perturbações na consciência e cognição e alucinações visuais, táteis e auditivas.

A síndrome de abstinência inclui dois ou mais dos seguintes sintomas: hiperatividade autonômica, por exemplo sudorese ou pulso acima de 100, tremor aumentado nas mãos, insônia, náusea e vômitos, alucinações ou ilusões visuais, táteis ou aditivas transitórias, agitação psicomotora, ansiedade e convulsões de grande mal. Sendo que os sintomas em geral são aliviados pela administração de álcool ou qualquer outro depressor cerebral.

Os sintomas de abstinência começam quando as concentrações sanguíneas do álcool declinam abruptamente (em 4-12 horas) após a cessação ou redução do uso. Em virtude da baixa meia-vida do álcool, os sintomas de abstinência geralmente alcançam sua intensidade máxima durante o segundo dia e tendem a melhorar acentuadamente no quarto ou quinto dia. No entanto, os sintomas de ansiedade, insônia e disfunção autonômica podem persistir por até 3-6 meses com níveis menores de intensidade (DSM-IV, 1995).

No entanto, nem a abstinência nem a tolerância são critérios necessários ou suficientes para um diagnostico de dependência (DSM-IV, 1995).

Com o padrão de comportamento de uso compulsivo, os indivíduos dependentes podem dedicar um tempo substancial à obtenção e ao consumo de bebidas alcoólicas.

Os desempenhos escolares e ocupacionais podem sofrer tanto pelos efeitos posteriores de consumo alcoólico quanto pela intoxicação durante o trabalho ou escola; as responsabilidades envolvidas em cuidar dos filhos ou da casa podem ser negligenciadas, e ausências podem ocorrer na escola ou no trabalho. Dificuldades legais podem decorrer do uso de álcool, como por exemplo, detenções por comportamento intoxicado ou por dirigir alcoolizado (DSM-IV, 1995).

Os comportamentos mal-adaptativos podem estar relacionados a atos agressivos ou sexuais inadequados, instabilidade de humor, prejuízo no julgamento e funcionamento social ou ocupacional. As alterações provocadas pelo álcool são acompanhadas por evidência de fala arrastada, falta de coordenação, marcha instável, nistagmo, prejuízo da memória, estupor ou coma. Evidências do uso de álcool podem ser obtidas pelo odor de álcool no hálito do indivíduo, pela obtenção da história pessoal ou de outro observador, e quando necessário, pela análise do nível alcoólico no hálito (“bafômetro”) ou exames toxológicos do sangue ou da urina (DSM-IV, 1995).

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Referências Bibliográficas

DSM-IV – Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, trad. Dayse Batista; – 4° ed. – Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

RAMOS, S. P. Alcoolismo hoje. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987.

PENA-AFARO, A. A. Alcoolismo: os seguidores de Baco. São Paulo: Mercuryo, 1993.

RESENDE, G. L. O. Prontidão e tratamento em alcoolistas: analise de um programa. Campinas: PUC-Campinas, 2003.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913