Olá amigos!

De tempos em tempos vemos palavras surgindo e se popularizando. Uma palavra que tem aparecido muito, especialmente em áreas ligadas ao marketing (digital), administração e psicologia financeira é a palavra inglesa mindset. Neste texto, vamos definir o que é mindset e mostrar os dois tipos mais fundamentais para compreender o conceito.

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O que é mindset?

Mindset possui diversas traduções possíveis: atitude, mentalidade, processo mental, maneira de pensar, paradigma, crenças. Na psicologia cognitiva e na PNL, entendemos crenças como um conjunto de pensamentos que governam outros pensamentos ou a interpretação de estímulos e situações externas.

Para a Doutora em psicologia Carol Dweck e autora do famoso livro Mindset: how you can fulfil your potential, mindset deve ser entendido nesse sentido. Ela escreve na introdução do seu livro:

“Meu trabalho é parte de uma tradição em psicologia que mostra o poder das crenças das pessoas. Elas podem ou  não estar conscientes de suas crenças, mas elas afetam fortemente o que queremos e se vamos ou não ser bem sucedidos em conseguir o que queremos. Esta tradição também mostra como mudar as crenças pessoais – mesmo as mais simples – pode trazer profundos efeitos.

Neste livro, você vai aprender como uma simples crença sobre você mesmo – uma crença que descobrimos em nossa pesquisa – guia uma grande parte da sua vida. De fato, esta crença permeia cada parte da sua vida. Muito do que você pensa como sua personalidade nasce deste “mindset”. Muito do que te impede de realizar todo o seu potencial cresce a partir do seu mindset” (Tradução minha. A editora Objetiva publicou a versão em português do livro, com o título Por que algumas pessoas fazem sucesso e outras não).

Portanto, vemos que uma das pesquisadoras mais renomadas na área, define mindset como um conjunto de crenças. Em seu livro – que é interessantíssimo, recomendo! – ela foca sua atenção especificamente sobre dois tipos de mindset, que são crenças sobre a própria personalidade:

O mindset fixo X o mindset de crescimento

De tudo o que não sabemos que aconteceu no passado, na história, conseguimos guardar um trecho de como era a iniciação na escola dos pitagóricos. Pitágoras, esse ser incrível que criou não só uma fórmula matemática como a nossa concepção de música (a matematização da música) e influenciou Platão e outros filósofos que criaram a nossa cultura, estabeleceu em sua escola uma forma muito peculiar de seleção.

Se você quisesse entrar na escola pitagórica e ser iniciado em seus mistérios (mystai – que dá a palavra místico – é aquele que se inicia) você teria que entrar em uma sala isolada e passar uma noite sozinho. Durante esta noite, você teria que resolver um problema matemático.

Então você ficava a noite inteira tentando resolver aquele enigma. O que você não sabia é que aquele problema não tinha solução. Pelo menos, ninguém – nem mesmo Pitágoras – tinha conseguido solucioná-lo.

A pegadinha do processo seletivo era justamente essa. Como você ia lidar com o não-saber? Como você ia se sentir e o que você ia dizer depois da longa noite tentando?

As pessoas que passavam no processo seletivo eram aquelas que conseguiam lidar bem com o seu não-saber. De manhã, elas diziam: “Olha, não consegui resolver este problema. Tentei muito, mas não consegui. Sinto muito. De toda forma, gostaria de saber como se resolve…”

As pessoas que não conseguiam lidar bem com o seu não-saber ficavam agressivas. Achavam uma afronta o fato de não terem conseguido. Era como ter ido mal em uma prova. A nota ruim representava que elas eram uma pessoa ruim ou uma pessoa falha ou uma pessoa burra. Por isso, as reações mais comuns destas pessoas que não eram selecionadas eram a ira, a raiva, a tristeza, a decepção. Elas diziam: “É um absurdo esse teste. Como você ousa aplicar uma pergunta assim para a minha pessoa? Acho ridículo a postura de vocês. Vocês tem que fechar essa escola! Nunca mais voltarei aqui”.

Se observarmos bem, veremos que existem duas crenças básicas por detrás dessas reações tão diferentes e opostas. Podemos ver que o grupo de pessoas que é selecionado tem o mindset de crescimento. Elas não imaginam que a sua personalidade é fixa. Por isso, é possível errar. Errar é uma parte no processo de aprender. Como o não-saber é temporário, não avaliam que admitir não-saber é uma afronta contra quem são.

Por outro lado, as pessoas com o mindset fixo avaliam que sua personalidade é estática. Ou elas são burras ou são inteligentes. Como o teste mostraria que são burras (por não terem acertado), elas ficam revoltadas, entre a agressividade e a tristeza. Como percebem que não seriam boas o bastante, nem pedem para saber a resposta e, assim, ficam fechadas em seu mundo e não são selecionadas.

Mas como disse, a pegadinha é que ninguém sabia a resposta. Portanto, o modo como elas lidam com o seu não-saber, a partir de um mindset fixo, estático, sem mudanças é que vai fazê-las escolher sair da escola. Pois na verdade, não é a escola que seleciona. São elas mesmas que se excluem porque pensam que já estão prontas (são do jeito que são, por genética, destino, nascimento ou o que for) e portanto não podem melhorar ou mudar.

Dois mindsets básicos: o mindset fixo e o mindset de crescimento.

No caso, avaliamos a partir da questão da inteligência. Quem tem o mindset de crescimento reconhece que a sua inteligência é construída com o tempo e constantemente. Quem tem o mindset fixo acha que o seu QI é para sempre e que quando erra em um teste tem a comprovação de que não é de verdade tão inteligente, talvez por isso nem valha a pena tentar…

Porém, os dois tipos básicos de mindsets, de crenças, estarão presentes em todas as áreas da vida. Alguém com o mindset fixo pensa que é sempre do mesmo jeito, que é um tipo fixo. Assim, não acha que consegue melhorar seus vícios e defeitos. Se ganha X por mês, pensa que isso também não vai mudar, que o esforço é em vão.

Agora quem tem o mindset de crescimento acredita que consegue melhorar não só a própria inteligência (como no exemplo). Acredita que é capaz de melhorar em todos os setores. Pode superar seus vícios, defeitos, medos, incertezas. Pode ajudar a si mesmo e os outros. Pode ganhar mais, subir o seu nível sócio-econômico, acadêmico, espiritual.

E aqui é inevitável citar de novo a frase de Ford: “If you think you can or if you think you can’t, either way you’re right”. “Se você pensa que pode ou se você pensa que não pode, você está certo”.

É possível mudar as nossas crenças, o nosso mindset?

Sim, claro! O primeiro passo é sempre reconhecer e perceber aonde estamos. Se você percebeu que tem um mindset fixo, que acredita que a sua personalidade, o seu modo de ser é assim mesmo e sempre será – e por isso não adianta tentar – você já deu o primeiro passo.

Mudar não é difícil. Acreditar que é difícil é, na verdade, um pressuposto do mindset fixo. No fundo, tudo muda o tempo todo. Para não mudar e permanecer parado é que precisamos fazer um grande esforço.

O segundo passo para a mudança é começar a cultivar pensamentos diferentes. Para uma pessoa com mindset fixo, os erros, dificuldades e pequenos desastres do dia a dia são um sinal de que são incapazes, pessoas más, fracassos ou qualquer juízo de valor negativo.

O mundo externo não vai concordar sempre com o que queremos. O natural é que as coisas aconteçam independente de nós. Você quer que faça sol. Começa a chover. Isto não quer dizer que a vida é uma droga e que tudo dá errado para você.

Simplesmente existem coisas que você pode controlar e coisas que você não pode

E está sob o seu controle notar os pensamentos que surgem em sua cabeça e concordar com eles ou não. Se você tira uma nota 6 em uma prova valendo 10, isso não significa que você é burro de uma vez por todas. (Mindset fixo). Isso apenas significa que você tem que estudar mais, que uma parte da matéria não foi compreendida. Ou seja, o progresso é possível. É possível pesquisar mais, perguntar mais, errar mais até fazer certo e tirar uma nota maior.

Em resumo, a grande diferença entre os dois tipos de mindset está relacionada ao medo de errar. Pois para o mindset fixo, para quem acredita que a sua personalidade é imutável, errar significa que é uma pessoa errada, falha, com muitas faltas e problemas. Já para quem tem o mindset de crescimento, errar é apenas um passo na direção de uma conquista maior.

É como aprender a andar. Você erra e cai. Mas continua tentando. Se parasse na primeira queda não teria aprendido a andar.

Na área financeira é bastante curioso como as pessoas tentam um empreendimento. Não dá certo e porque não deu certo na primeira vez, param de tentar. Ora, mas em quase tudo, para aprender, temos que errar. Errar até acertar. Como o pessoal especialista em concursos públicos diz: “concurso você não faz para passar, mas até passar”.

Em outras palavras, se você não passa, tudo bem. Você tem que continuar tentando. Continuar tentando. Continuar tentando. No processo, você aprenderá muito e terá mudado, melhorado muito das suas características.

Ficamos por aqui hoje. Sugiro o livro da Carol Dweck para maiores esclarecimentos e exemplos. Dúvidas, sugestões, comentários, por favor, escreva abaixo!

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Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913