O Behaviorismo de Watson

O Behaviorismo foi inaugurado com o artigo de Watson, em 1913, intitulado de “Psicologia: como os behavioristas a veem”. Watson tomava como objeto da Psicologia o comportamento. O fundador do Behaviorismo deu consistência à Psicologia por ter um objeto de estudos observável, mensurável. Os experimentos dessa ciência poderiam ser reproduzidos em laboratório, em diferentes condições e em diferentes sujeitos. Essa perspectiva levou ao rompimento da Psicologia com a Filosofia, já que antes da Psicologia adquirir o status de ciência, no sentido positivista do termo, tinha por objeto o estudo da alma, e, assim sendo, enquadrava-se dentro dos estudos filosóficos. Watson defendeu a concepção funcionalista, isto é, “o comportamento deveria ser estudado como função de certas variáveis do meio” (TEIXEIRA, 2007, p.44). Determinados estímulos fazem com que o organismo dê determinada resposta, pois os organismos ajustam-se aos ambientes através de equipamentos hereditários e através da formação dos hábitos. Watson buscou uma Psicologia sem alma, sem mente, sem traços subjetivos do pesquisador quanto à análise dos comportamentos dos sujeitos. Esse estudo teve ampla difusão nos Estados devido às suas aplicações práticas: “tornou-se importante por ter definido o fato psicológico, de modo concreto, a partir da noção de comportamento (behavior) (TEIXEIRA, 2007, p.43)

Todavia, a perspectiva de que o objeto de estudos dessa corrente psicológica seria somente o comportamento foi sendo modificada. O Behaviorismo entende o comportamento como uma interação entre o que o sujeito faz e o ambiento no qual ele faz algo: “o Behaviorismo dedica-se ao estudo das interações entre o indivíduo e o ambiente, entre as ações do indivíduo (suas respostas) e o ambiente (as estimulações)” (TEIXEIRA, 2007, p.45). Os psicólogos behavioristas cunharam os termos “resposta” e “estímulo” para mencionarem o que o organismo faz e para mencionarem também as variáveis ambientais que interagem com o sujeito. Assim, o “Comportamento, entendido como interação indivíduo-ambiente, é a unidade básica de descrição e o ponto de partida para uma ciência do comportamento” (TEIXEIRA, 2007, p.45). Isto significa que o homem é estudado a partir de sua interação com o ambiente e que também é tido como produtor e produto dessas mesmas interações.

O Behaviorismo Radical de B. F. Skinner

Após Watson, temos outro importante pesquisador da mesma linha: B.F. Skinner. O Behaviorismo Radical, como foi nomeado por Skinner, teve grande aceitação nos Estados Unidos e no Brasil. Este pesquisador propôs que essa filosofia da Ciência do Comportamento se desse através da análise experimental do comportamento.

Essa corrente psicológica embasa-se na formulação do comportamento operante. Todavia, o ser humano apresenta vários tipos de comportamentos os quais foram classificados por Skinner do seguinte modo: comportamentos reflexos, voluntários e comportamentos operantes. O comportamento operante é aquele que tem o estímulo emitido pelo ambiente e este desencadeia um comportamento observável. O comportamento reflexo é aquele em que o indivíduo age involuntariamente. Já o comportamento voluntário é uma ação consciente do indivíduo em relação a algum fato que ocorre no ambiente.

 Skinner afirmou que todo comportamento humano poderia ser moldado ao se controlar os estímulos do meio ambiente. De acordo com sua teoria, seria possível criar ou excluir comportamentos ao inserir ou eliminar estímulos no meio ambiente. Os estímulos do meio foram identificados e denominados pelo psicólogo behaviorista como: reforço positivo, reforço negativo e punição. O reforço positivo é o estímulo aplicado pelo pesquisador em um organismo logo depois deste ter tido um comportamento desejado pelo pesquisador. Assim, há maior probabilidade de que esse comportamento se repita. Já no reforço negativo, o estímulo aversivo é retirado com a finalidade de que seja mais provável a repetição do comportamento desejado. Vale notar que os dois tipos de reforços visam aumentar a frequência de determinado comportamento. Outro estímulo é a punição, que pode ser negativa – quando um estímulo desejado pelo organismo é retirado pelo pesquisador – ou positiva – quando é introduzido um estímulo aversivo. A punição visa extinguir os comportamentos que são indesejáveis. Este tipo de estímulo foi utilizado no ensino tradicional com o objetivo de moldar o comportamento de alunos indisciplinados.

A “Caixa de Skinner” foi um instrumento para experiências com animais e foi através deste experimento que o psicólogo pode descrever os tipos de reforços. Essa experiência foi usada na modelagem de comportamentos e foi através da mesma que se pode notar a obtenção de novos comportamentos através do reforço e, ainda, que comportamentos indesejados foram extintos com o não reforçamento do comportamento. Fica evidenciada a relação entre aprendizagem e controle dos estímulos do meio ambiente dentro desta perspectiva abordada. Isto é, a aprendizagem é vista como um produto da organização dos estímulos por parte do professor. Assim, o professor tem a função de planejar de modo rigoroso cada aula, organizar e controlar os estímulos do ambiente e, ainda, empregar a escala de reforço com a finalidade de que o aluno obtenha comportamentos adequados e que condigam com o ambiente escolar.

Após expor os principais pontos da corrente behaviorista, podemos notar que a concepção da mesma acerca da aprendizagem é ambientalista, ou melhor, tanto o desenvolvimento quanto a aprendizagem são determinados pelo meio ambiente, e por isso dá-se grande importância aos estímulos encontrados neste ambiente.

Michelle Vaz é graduanda em Filosofia