Albert Ellis foi considerado pela Associação Psicológica Americana como o segundo psicoterapeuta mais influente da história, ficando atrás apenas de Carl Rogers. Ele é o criador da Terapia Racional Emotiva, que, desde a década de 1950, inaugurou uma nova forma de tratamento que hoje chamamos de Terapia Cognitivo Comportamental.

Estima-se que Ellis tenha sido a pessoa que atendeu o maior número de pessoas, ultrapassando a marca de 100.000 pacientes.

Neste texto, vou compartilhar com vocês as 4 crenças mais fundamentais, que causam sofrimento, segundo ele.

1. Preocupação excessiva sobre o que os outros vão pensar de mim

Em sua vasta experiência clínica, Ellis viu que esta era a crença que mais perturbava seus pacientes. Em suas palavras:

“[Essa] preocupação excessiva causa um forte medo de rejeição. O pensamento relacionado é mais ou menos esse: ‘Eu não devo ser desaprovado ou rejeitado por pessoas significantes em minha vida (parentes, amigos, chefes, colegas de trabalho, professores, etc), porque se eu fosse seria horrível e eu não poderia suportar” (Ellis, p. 63).

Não é que as pessoas pensem exatamente desse jeito. Mas por debaixo das queixas que trazem ao consultório, a crença subjacente vai nesse sentido. “Se eu for criticado, desaprovado, avaliado negativamente… por pessoas próximas… será terrível… e não vou aguentar”.

Evidentemente, todos nós temos, em maior ou menor grau, a necessidade de ter feedbacks postivos, de receber aprovação e apreciação. O ponto central que causa sofrimento é acreditar que se isso não ocorrer vai ser insuportável, horrível, terrível, algo com o qual não se pode conviver.

2. Eu não devo falhar em atividades importantes

Essas atividades importantes geralmente estão ligadas ao trabalho, estudos, esportes, sexualidade, relacionamentos. Assim como na crença anterior, imaginar que haverá uma falha seria algo terrível e insuportável.

Essa crença aparece de formas diferentes, às vezes como medo de errar, às vezes como uma compensação, em um perfeccionismo. As consequências dessa crença na vida, portanto, podem ser uma preocupação excessiva com a simples ideia de cometer um erro, a autocrítica exacerbada quando se comete um erro, a paralisia da ação – quando a vontade é de agir – pois seria melhor não fazer nada do que “falhar” em uma atividade considerada significativa.

3. As pessoas devem fazer e as coisas devem acontecer exatamente como quero

Se não for como quero, será também horrível e um sofrimento intenso. Essa é uma crença que, olhando de forma distanciada, parece uma fantasia sem sentido. Mas, como sabemos, é uma crença extremamente comum e que é motivo de muitas dificuldades.

Em um relacionamento amoroso, um dos parceiros pode querer que a outra pessoa faça uma coisa específica (talvez também de um jeito específico). Quando não acontece, a consequência no mínimo é um desentendimento, no máximo é uma separação.

Se alguma coisa acontece na vida, que não era esperada, em virtude do desejo de que fosse diferente, surge uma dor, uma lástima, uma pena de a realidade não ter concordado com o nosso pensamento.

4. Se esses três eventos (das crenças anteriores) não acontecerem, vou culpar alguém por isso

“Se eu não sou amado ou respeitado, se eu erro ou falho, se as coisas não seguem o curso planejado como eu queria, então eu sempre vou culpar alguém por isso!” (Ellis, p. 73).

É também comum que um processo psicoterapeutico comece com a responsabilidade sendo colocada em outra pessoa, geralmente do passado. Na visão de Ellis, que tinha influência de autores como Epiteto, não são as coisas fora de nós que causam sofrimento, mas sim a visão, a interpretação que damos a estas coisas.

Isso, claro, não significa que não existam situações no passado que tenham uma forte influência ainda nos dias de hoje (como uma experiência de trauma ou um abuso).

O ponto fundamental dessa quarta crença é de que, ao tê-la, a pessoa abre mão do que ela própria pode fazer hoje, abre mão da responsabilidade por sua própria vida. Afinal, mesmo que alguém do passado tenha feito algo que reprovamos, aonde está o passado agora? Ou o que pode ser feito, repensando agora, para seguir em direção à uma maior qualidade de vida?

Evidentemente, a mudança dessa e das outras crenças pode exigir um certo tempo de tratamento e mudanças práticas realizadas entre as sessões.

Conclusão

Existem outras crenças disfuncionais que foram descritas por Albert Ellis. Estas acima são as principais, as que mais aparecem na clínica e as que mais afetam as pessoas.

A Terapia Racional Emotiva, entre muitos outros processos, vai atuar na mudança destas crenças disfuncionais. Por exemplo, o paciente pode entender que quer aprovação de pessoas querida, mas conseguir isso sempre é impossível. Não será muito bom receber uma reprovação ou crítica externa, mas se isso ocorrer não vai ser o fim do mundo.

Ou o paciente pode aprender que errar, falhar em uma atividade é uma coisa que acontece com todos os seres humanos (nenhum ser humano é perfeito, certo?) e, se isso é verdade, podemos ir abandonando o medo de errar. Afinal, uma boa parte do processo de aprendizagem consiste em tentar, errar, mudar, acertar e manter o acerto.

Dúvidas, sugestões, críticas, comente abaixo.

Referência

ELLIS, Albert, LANGE, Arthur. How do keep people from pushing your buttons. Robinson, 2017

Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), formado há 14 anos, Mestre (UFSJ) e Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness, Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma Sessão Online via Skype, Problemas de Relacionamentos ou Orientação Profissional e Coaching de Carreira , fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! e Instagram! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913