Na Psicologia Cognitiva, encontramos duas crenças centrais que causam muitos problemas psicológicos: a crença de não ser capaz (desamparo) e a crença de não ser digno de receber amor. Neste texto, procuraremos explicar melhor sobre o funcionamento das crenças no modelo cognitivo e como estas duas crenças principais aparecem.

Crenças e pensamentos automáticos

Na teoria da psicologia cognitiva, os problemas psicológicos são analisados em sua atualidade. Quando um paciente relata ter algum tipo de sofrimento, este sofrimento relaciona-se a pensamentos e sentimentos sustentados por crenças. Em certo sentido, crenças também são pensamentos, a diferença é que tais pensamentos – chamados de crenças – organizam, orientam, norteiam uma série muito grande de comportamentos e emoções.

Por exemplo, uma pessoa, ao fazer um exercício de matemática, pode ter o pensamento de que o exercício é difícil. Ou o pensamento de que ela não sabe fazer aquele exercício. Antes ou durante a tentativa, a mesma pessoa pode ter uma crença negativa de que é “fraca em matemática” ou “de que é burra”. Essa crença em sua própria incapacidade talvez gere o sentimento de tristeza ou uma atitude de desmotivação que a faz parar de tentar.

Uma outra pessoa também pode pensar que o exercício é difícil ou de que não sabe fazer aquele exercício, especificamente. Porém, se não tiver a crença negativa sobre sua incapacidade, e mantiver a crença “sou inteligente”, “consigo aprender se me esforçar”, ela pode continuar tentando e ir encontrando formas de entender o problema, e resolvê-lo.

Uma crença, portanto, vai nortear o comportamento. Na verdade, uma série de pensamentos. A pessoa que tem a crença “eu sou burra” terá uma grande probabilidade de não querer aprender, de sair da escola ou de não cursar uma faculdade. Razão pela qual a modificação de uma crença fundamental vai impactar uma área inteira da vida e muitas vezes até várias áreas.

Crença na não-amabilidade

Além da crença da incapacidade (de não ser inteligente ou capaz de fazer ou aprender algo), encontramos frequentemente a crença de que o eu é “indigno de amor” ou “não merece amor” ou é insuficiente e, portanto, não merece receber admiração, carinho, etc.

Um fato é apenas um fato. Mas um fato é interpretado através de pensamentos automáticos e sustentado por uma crença base. Imagine uma pessoa que acabou de terminar um relacionamento. Milhões de pessoas terminam relacionamentos todos os dias, certo? Porém, a forma de ver, de interpretar este fato vai se basear na crença. Didaticamente, podemos dividir em crenças de que o eu é digno de amor e afeto, e crenças de que não é.

Uma pessoa que acredita que o seu ser ou seu eu não é digno de amor, ao terminar um relacionamento, pode vir a ter uma série de pensamentos automáticos de que há algo errado com ela, de que ela nunca encontrará alguém bacana para conviver, de que não adianta tentar, etc.

Uma pessoa com uma crença mais positiva, por outro lado, entenderá que – embora o término seja desagradável nos primeiros momentos – existe a possibilidade de encontrar alguém legal, de amar e ser amada, de que, enfim, a sua personalidade e ser é interessante e estar sozinho(a) é só uma fase.

Alguns exemplos de crenças

No livro Terapia Cognitiva, Teoria e Prática, Judith Beck levanta alguns exemplos destes dois tipos de práticas, que ela chama de Crenças Centrais de Desamparo e de Não ser Querido (falta de amor).

Crenças Centrais de Desamparo

Eu sou desamparado.

Eu sou impotente

Eu estou fora de controle

Eu sou fraco.

Eu sou vulnerável.

Eu sou carente.

Eu estou sem saída.

Eu sou inadequado.

Eu sou ineficiente.

Eu sou incompetente.

Eu sou um fracasso.

Eu sou desrespeitado.

Eu sou defeituoso (ou seja,  não chego à altura dos outros).

Eu não sou bom o suficiente (em termos de conquista).

 Crenças de Não ser Querido (falta de amor).

Eu não sou capaz de ser amado.

Eu sou capaz de ser querido.

Eu sou indesejável.

Eu não sou atraente.

Ninguém me quer.

Ninguém liga pra mim.

Eu sou mau.

Eu não tenho valor.

Eu sou diferente.

Eu sou imperfeito (ou seja, então os outros não irão me amar).

Eu não sou bom o suficiente (para ser amado pelos outros).

Eu estou a ponto de ser rejeitado.

Eu estou condenado a ser abandonado.

Eu estou a ponto de ficar sozinho.

Mudança de crenças

Nem sempre é evidente o tipo de crenças que temos e mantemos. Eventualmente, em momentos de maior vulnerabilidade, podemos vir a desenvolver crenças negativas, perceptíveis apenas através dos pensamentos automáticos. Nessas fases da vida, é importante reconhecer que não estamos bem e procurar ajuda psicoterapêutica.

Com a psicoterapia, o profissional conseguirá ajudar a fazer a identificação precisa das crenças negativas que estão atuando, auxiliar no monitoramento das crenças ao longo dos dias e semanas e, o mais fundamental, na modificação delas e no fortalecimento de crenças novas, positivas e mais saudáveis.

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Psicólogo Clínico e Online (CRP 06/145929), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness e Pós-Doutorando (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913