Uma das maiores invenções da humanidade é a capacidade de entender a linguagem. Sem esta capacidade, você não estaria lendo estas palavras e compreendendo o seu sentido. Contudo, a linguagem que nos liberta, comunica e cria mundos é a mesma que aprisiona, tolhe, causa sofrimento. Evidentemente, não é a linguagem em si e sim o uso que fazemos dela.

Neste texto, pretendo comentar sobre o uso da expressão “tenho que”.

O que você tem para fazer?

Se você pensar o que você tem para fazer esta semana, esse mês, daqui pra frente, imagino que você apresente uma lista – maior ou menor – de afazeres, uma lista de tarefas. Talvez só de pensar no que está pendente na sua agenda, você já sinta certo desconforto ou angústia.

Uma dica simples e sempre eficaz de produtividade é começar a tirar da cabeça e anotar o que você “tem pra fazer”. Você pode fazer como no método GTD e anotar em pequenos papéis de rascunho, uma atividade por papelzinho. Caso você faça, notará que muitas das coisas que você “tem que fazer” são importantes, algumas a serem delegadas ou proteladas e muitas outras que você não quer, não precisa ou não espera mais realizar.

Então surge a pergunta:

O que é realmente importante para você?

É libertador – e assustador – perceber que não há nada realmente que você tem que fazer. Considerando a impermanência e o tempo curto que temos de vida (e quantas pessoas morreram sem terminar a sua lista de tarefas), veremos que não há nada de fato imprescindível.

Eu não tenho que morar nessa cidade…mais do que morar nessa ou naquela. Eu não tenho que trabalhar nisso ou naquilo, nem tenho que continuar escrevendo este texto. O que quero dizer é que se pararmos para refletir, veremos que não há nada que seja obrigatório.

Lembro constantemente do exemplo dado pelo criador da CNV, Comunicação Não Violenta, Marshall Rosemberg, sobre a sua atividade como psicólogo clínico. Ele passou a notar que era insuportável para ele ter que escrever os laudos depois de algumas consultas. Não era a consulta que o incomodava, claro, mas o comportamento de escrever o laudo.

Marshall se questionou porquê escrevia os laudos, já que chegava a odiar “ter que fazer” isso. E a resposta a que ele chegou foi que era por dinheiro. Pensando profundamente na questão, ele sentiu que preferia trabalhar com qualquer outra coisa na vida do que ter que escrever os laudos. Ou seja, se a necessidade era dinheiro, ele encontraria dinheiro de outra forma. E laudos nunca mais!

Esse questionamento pode ser feito de tempos em tempos com situações que nos incomodam. E até no geral.

Você tem que fazer… será que tem mesmo?

Planos de como a vida deveria ser

A expressão “tenho que fazer” nos remete a compromissos. A atividades necessárias. A acordos que fizemos com alguém ou conosco. É uma expressão que aponta para o passado, já que em algum lugar do tempo nós concordamos que aquilo X ia ser feito. É uma frase dita no presente que geralmente traz a ideia do que acontecerá… se fizermos…ou se não fizermos.

Não fazer nada, claro, não trará resultados muito produtivos. Porém, viver a vida toda com o peso de muitos “tenho que” também não aumentará necessariamente a nossa produtividade.

“Tenho que ter mais um certificado, mais um diploma”, “tenho que separar”, “tenho que casar”, “tenho que ganhar mais dinheiro”, “tenho que viajar para não sei onde”, “tenho que terminar esse projeto”, “tenho que emagrecer”, etc, etc. São alguns exemplos comuns que encontramos no consultório. Ouvindo com atenção meus pacientes, surge a questão: é verdade esse “tenho que”? É absolutamente verdade? Que tipo de sensação no corpo esse pensamento de “tenho que” traz?

Como seria uma vida sem esse “tenho que”?

Retirando o peso

Você pode tentar fazer este breve exercício. Imagine, ainda que você não acredite em mim, que você não tem que fazer um grande “tenho que” a passar constantemente pela sua cabeça. Mas imagine: se você não tivesse esse pensamento de que “tem que”, como você se sentiria?

Talvez você continue pensando que sim, eu “tenho que” isso ou aquilo. Porém, se você sabe para onde quer ir, o que quer fazer, o objetivo em vista, você pode sim retirar esse peso do “tenho que” e simplesmente fazer o passo-a-passo necessário para chegar lá. Porque assim como ao irmos para uma outra cidade, vamos indo, sem a necessidade de ficar narrando “tenho que andar mais 1 km”, “tenho que passar por esta ponte”… e finalmente chegamos. Se você sabe aonde quer chegar, ótimo. Embora você não tenha que chegar, você quer chegar e ok. Apenas deixe o “tenho que”.

Se você não tem certeza se “tem que” ou “tem não”, tudo bem, também. Não precisamos ter todas as respostas da vida. Muitas vezes só de retirar o peso de obrigações autoimpostas, de demandas de outras pessoas, já sentimos alívio suficiente para começar a encontrar o nosso verdadeiro caminho.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 04/25443), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Atendimento presencial na Av. Paulista: Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913