Uma das áreas de estudo mais fascinantes é o estudo do tempo. Digo não do tempo da física ou do tempo que varia de cultura para cultura, mas sim do tempo subjetivo. Como temos certos acordos culturais de que existe uma semana, um ano, um século, passamos a pressupor que todas as pessoas lidam com o tempo da mesma maneira.

A PNL, Programação Neurolinguística já havia feito estudos sobre as diferenças individuais sobre como cada pessoa lida com o tempo. Por exemplo, uma vez conheci um senhor para quem daqui a 10 anos era como daqui a um mês. Ele via e sentia e pensava que uma década passa extremamente rápido. E isso explicava o seu comportamento de se precaver economicamente, de poupar e investir. Outras pessoas nem conseguem visualizar algumas semanas na frente, não por uma incapacidade cognitiva, mas pelo modo como a sua linha do tempo (geralmente inconsciente) foi sendo construída. 

Outras pessoas tem uma incrível facilidade para se esquecer do passado ou para transforma-lo, enquanto outras tem um passado fixo – como um quadro. Com relação ao futuro também: alguns conseguem pintar um quadro ou filme vívido, enquanto outras não tem clareza, ou seja, o futuro parece nebuloso, distante, complicado de imaginar.

O tempo psicológico e o Paradoxo do Tempo

Na psicologia, mais recentemente, temos o trabalho maravilhoso de Phillipe Zimbardo, O Paradoxo do Tempo. Por outro caminho – diferente do da PNL evidentemente – ele comprova como a maneira como uma pessoa lida com o tempo determina o seu comportamento. Zimbardo, um dos psicólogos mais produtivos e criativos da atualidade, elaborou alguns experimentos para comprovar esta hipótese inicial.

Num deles, ele convocou estudantes universitários para um estudo sobre oratória (eles portanto não sabiam a finalidade última do estudo que era sobre o tempo). Dividiu os estudantes em dois grupos. Todos tiveram a tarefa de criar uma apresentação oral sobre a parábola do bom samaritano. 

Os estudantes do grupo 1 foram informados de que estavam atrasados. Individualmente, cada um deles deveria atravessar o campus até chegar ao local da apresentação. No caminho, eles encontravam uma pessoa passando mal (não de verdade, era um dos pesquisadores) e a pesquisa avaliava então se eles paravam ou não para ajudar. O grupo 2 não foi informado que estavam atrasados.

Comparando os dois grupos, chegou-se à conclusão de que aqueles que pensavam que estavam atrasados praticamente não paravam para ajudar uma pessoa passando mal, mesmo estando com a mente voltada para a parábola do bom samaritano.

Portanto, este é um outro exemplo de como o nosso comportamento pode se alterar devido ao modo como estamos lidando com o tempo. Se estamos pensando que estamos com pressa e sem tempo, podemos não notar a necessidade alheia, podemos ficar estressados ou sem paciência. O ponto central aqui é que, psicologicamente, o tempo não é uma entidade fixa. O tempo é uma percepção que se altera.

Um bom exemplo disso é a prática da meditação. 50 minutos prestando atenção na respiração parece às vezes um tempo longuíssimo, se estamos ansiosos, às vezes, por outro lado, parece que voou. 

E o outro ponto fundamental é que o tempo subjetivo, afetando diretamente o nosso comportamento, também vai criando a nossa vida, no longo prazo. Este é o peso das consequências do que fazemos ou deixamos de fazer.

O peso das consequências 

Como trabalho há muitos anos com Orientação Profissional, vejo com muita frequência jovens de 20-25 anos acreditando que estão velhos para começar uma faculdade. Há aí uma percepção de que as pessoas começam uma faculdade com 18. Uma ideia de um passado que não foi como gostariam ou deveria ter sido e um futuro sem muita esperança ou vontade.

Ora, o passado foi como foi e não pode ser alterado (em termos concretos, porque podemos sim ressignificar os eventos anteriores) mas a forma como pensamos hoje sobre as possibilidades do futuro cria esse futuro, já que o futuro não existe, é uma possibilidade.

Se tivermos a sorte de vivermos por mais muitas décadas, o tempo passará de qualquer forma. Assim, uma boa pergunta é sobre o que gostaríamos de ter feito no passado. Por exemplo, daqui a 20 anos, o que você gostaria de ter feito hoje para viver a vida dos seus sonhos lá? 

Uma outra forma de perguntar é: o que você está fazendo hoje vai te levar aonde você quer daqui a 10 dias, 10 meses, 10 anos?

Veja o texto: Conheça a técnica 10-10-10

No curto, medio, longo prazo, o que você tem pensado, planejado, posto em prática te conduz para a realização dos seus sonhos?

Estas perguntas não visam criar culpa ou ressentimento. Se você por acaso notar que não, você pode mudar de caminho. Se estiver difícil, você pode procurar ajuda de um profissional da psicologia.

Dúvidas, sugestões, comentários, por favor, escreva abaixo. 

Psicólogo Clínico e Online (CRP 04/25443), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Atendimento presencial na Av. Paulista: Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913