Olá amigos!

Neste texto, gostaria de compartilhar o que estou aprendendo com o livro Terapia do Esquema, de Jeffrey E. Young. Apesar de possuir muitas semelhanças com a Terapia Cognitivo-Comportamental, a Terapia do Esquema (Young) critica estas abordagens anteriores, propondo uma nova forma de tratamento, especialmente para os chamados Transtornos de Personalidade.

De acordo com o DSM-5, “um Transtorno de Personalidade é um padrão persistente de experiência interna e comportamento que se desvia acentuadamente das expectativas da cultura do indivíduo, é difuso e inflexível, começa na adolescência ou no início da fase adulta, é estável ao longo do tempo e leva a sofrimento ou prejuízo”.

Através das críticas, poderemos aprender também sobre certos pressupostos de tratamento da Terapia Cognitivo-Comportamental (usaremos a sigla TCC).

6 Críticas à Psicologia Cognitivo-Comportamental

1) Tratamento para Transtornos de Personalidade

A primeira crítica de Young é de que a TCC mostrou-se eficaz para o tratamento de muitos transtornos mentais, como depressão e ansiedade, mas não apresentou desfechos favoráveis para os transtornos de personalidade, como o Transtorno Borderline ou Narcisista.

“Muitas vezes, pacientes com transtornos de personalidade e problemas caracterológicos não respondem totalmente a tratamentos cognitivo-comportamentais tradicionais” (Beck, Freeman et al., 1900).

Pode acontecer de que os sintomas diminuam com o tratamento da TCC, mas os fatores de personalidade ou caracterológicos fazem com que os sintomas retornem, já que a maneira antiga do paciente pensar, sentir e agir é o que ele conhece e se sente confortável.

2) Tratamento para pacientes com sintomas não-específicos

Outra dificuldade que acontece na TCC é quando o paciente chega para o tratamento sem ter uma sintomatologia específica: “Seus problemas são vagos e difusos, ou não há fatores ativadores claros” (Young, p. 18).

Mais à frente:

“São infelizes em áreas importantes de suas vidas e tem estado insatisfeitos desde que conseguem se lembrar. Talvez sejam incapazes de estabelecer um relacionamento romântico de longo prazo, não consigam atingir o potencial desejado no trabalho ou tenham a sensação de que suas vidas são um vazio. São fundamentalmente insatisfeitos no amor, no trabalho ou no lazer. Esses temas da vida, amplos e difíceis de definir, via de regra não conformam alvos fáceis de abordar por meio de tratamentos cognitivo-comportamentais tradicionais”  (Young, p. 20).

3) Não cumprimento dos protocolos

Uma terceira crítica feita por Young é de que a TCC utiliza frequentemente protocolos de atendimentos que, sendo estruturados por sessão, exigem com que o paciente faça “tarefas de casa”. Não raro o paciente diz que vai fazer e não faz. Além disso, muitos não querem aprender outras estratégias para lidar com seus problemas, se recusando às intervenções.

4) Registro de pensamentos e sentimentos

Na TCC, logo no início, o terapeuta solicita que o paciente faça um registro diário de seus pensamentos disfuncionais, emoções e sensações desagradáveis. Isso ajuda não só na anamnese como a própria execução ajuda o paciente a ter mais consciência de como e quando os seus sintomas afloram, quais são os “gatilhos” para as suas dificuldades.

Muitos pacientes relatam não conseguir fazer este registro, justificam ou dão desculpas sobre não terem feito o que foi solicitado na seção anterior.

5) Resistência à mudança

“A terapia cognitivo-comportamental também pressupõe que os pacientes sejam capazes de mudar seus comportamentos e congestões problemáticos por meio de práticas como análise empírica, discurso lógico, experimentação, exposição gradual e repetição. Entretanto, para pacientes caracterológicos, muitas vezes isso não acontece. Em nossa experiência, os pensamentos distorcidos e os comportamentos de auto-sabotagem desses pacientes são extremamente resistentes à modificação apenas por meio de técnicas cognitivo-comportamentais. Mesmo após meses de terapia, inúmeras vezes não há melhora sustentada” (YOUNG, p. 19).

A razão disso é que a identidade em um paciente com Transtorno de Personalidade parece estar intimamente vinculada com os seus problemas. Deixar os seus problemas ou resolvê-los é sentido como uma morte de si mesmo.

6) Dificuldades na relação terapêutica

Também pode acontecer de os pacientes terem dificuldade para se relacionarem com os seus terapeutas. Na medida em que o paciente tenha tido um histórico de relacionamentos conturbados em sua infância, e talvez em toda a sua história pregressa, o estabelecimento de um relacionamento de confiança com o terapeuta é prejudicado.

Conclusão

A Terapia do Esquema, como apontada pelo próprio autor, possui muitas relações com a Terapia Cognitiva de Aaron Beck. Entretanto, também apresenta diferenças significativas. Falaremos no próximo texto sobre o que é a Terapia do Esquema.

Psicólogo Clínico e Online (CRP 04/25443), Mestre (UFSJ), Doutor (UFJF), Instrutor de Mindfulness (Unifesp), Coach e Presidente do Instituto Felipe de Souza. Como Professor no site Psicologia MSN venho ministrando dezenas de Cursos de Psicologia, através de textos e Vídeos em HD. Faça como centenas de alunos e aprenda psicologia através de Cursos em Vídeo e Ebooks! Loja de Vídeos e Ebooks. Você pode também agendar uma sessão de Coaching Online via Skype, Relacionamentos ou Carreira (faculdade), fazer o Programa de 8 Semanas de Mindfulness Online e Orientação Profissional Online. E não se esqueça de se inscrever em nosso Canal no Youtube! Email - [email protected] - Atendimento presencial na Av. Paulista: Agendar - Whatsapp (11) 9 8415-6913